Dinamarqueses vão importar lixo para geração de energia

agosto 3rd, 2011 by Anna Albuquerque

A produção de biogás e outros produtos a partir de lixo está dando tão certo na Dinamarca que o país deve importar resíduos a partir de 2016. Nesse ano ficará pronta uma nova usina de processamento de lixo da cooperativa Amagerforbrænding, hoje a segunda maior do país. A ideia é comprar resíduos de países do norte e do leste da Europa, como Alemanha e Polônia, para dar conta da capacidade total da usina. Hoje, a Dinamarca processa 100% do lixo que produz em empresas privadas e em cooperativas sem fins lucrativos (esse é o caso da Amagerforbranding).

A população separa o lixo em casa e também leva os recicláveis até postos de troca. “Os dinamarqueses estão bastante acostumados a trocar garrafas de plástico e latas de alumínio por moedas”, disse à Folha a ministra do Clima e Energia da Dinamarca, Lykke Friis. A Amagerforbrænding processou no ano passado cerca de 400 mil toneladas de lixo, ou 400 caminhões carregados todos os dias.

Adeus aos fósseis
O tratamento de lixo reduz a emissão de CO2, principal gás do aquecimento global. Além disso, no caso da Dinamarca, o biogás produzido a partir do lixo substitui os combustíveis fósseis que seriam usados para aquecimento das casas. De acordo com Vivi Nør Jacobsen, da cooperativa, 4 kg de lixo processados na usina equivalem a 1 l de óleo para aquecimento das casas. “A atividade da usina está dentro da proposta do governo de acabar com o uso de combustíveis fósseis no país até 2050″, explica Jacobsen.

A Amagerforbranding também tem uma proposta de aproximar o processamento do lixo da sociedade. A nova fábrica será em Copenhague, assim como a atual, que é de 1970 e se destaca por ser limpa e colorida. A diferença é que a usina que será inaugurada ficará ainda mais perto do palácio real dinamarquês e funcionará como um espaço público, tendo até pista de esqui. “Queremos mostrar que uma usina de processamento de lixo não precisa ser feia e fedida”, explica Jacobsen. No Brasil, algumas iniciativas de reciclagem funcionam bem. Por exemplo, quase todas as latinhas de alumínio são recicladas no país. Os lixões a céu aberto continuam predominando no Brasil pelo menos até 2014. Esse é o prazo final estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no ano passado, para que todos os lixões sejam completamente fechados. O objetivo é ter aterros sanitários para os resíduos que não possam ser tratadas – e reaproveitar o restante.

Fonte: Folha de São Paulo

Concordo com a afirmação de que o mal do Brasil é a fartura e o clima.

Com uma costa rica em pescados, um território vasto em agricultura e pecuária, além de um clima sem as agressões de furacões, terremotos ou nevascas, os brasileiros são privilegiados.

Energia limpa em abundância, que precisa de estudos e investimentos estrangeiros para ser despertada. Somente após tais investidas, o governo “acorda” para o potencial nacional.

A Lei Federal nº 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos, prevê, até 2014, o gerenciamento dos resíduos sólidos no país. Para disciplinar as ações previstas nesta Lei, está em fase de consulta pública a versão preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos.

Infelizmente, a base cultural do nosso povo não prevê conceitos elementares de higiene e preservação do meio onde se vive, atribuindo a terceiros a responsabilidade de preservar o que é de todos. Resquícios da escravatura, quando o senhor sujava, para o escravo limpar…

Acontece que chegou-se a um estágio em que não há como processar a enorme quantidade de resíduos orgânicos e inorgânicos produzidos pela população. Não há como armazenar.

A solução passa:

  • pela REDUÇÃO do consumo, também inviável num país com tanto desperdício. Aspecto igualmente cultural, diante da tamanha fartura…
  • pelo REUSO de embalagens e objetos, com o apoio de políticas industriais de adoção das embalagens reaproveitáveis, por exemplo.
  • pela RECICLAGEM dos resíduos secos e úmidos, reduzindo seu descarte quando ainda podem ter vida útil, mesmo que reprocessados, minimizando a extração dos insumos na natureza, produzindo matéria prima para novos produtos e energia real e limpa.

Um exemplo como o da Dinamarca ilustra a real necessidade de mobilização social e política dos países europeus, em busca de alternativas para sua matriz energética, tornando-a limpa e renovável, especialmente agora, quando as soluções com a energia nuclear estão em baixa, principalmente depois do acidente devastador que ocorreu no Japão, apesar de todos os controles praticados pelos japoneses para o funcionamento seguro e responsável de uma usina nuclear.

Nestes países, não há fartura ou clima ameno. Há necessidade de participação da coletividade, para que haja sobrevivência diante do rigoroso frio do inverno.

Voltando à nossa realidade, veremos se através das medidas previstas no futuro Plano Nacional de Resíduos Sólidos, as instâncias pública e privada adotarão novas posturas em relação aos resíduos sólidos, promovendo meios de educar e conscientizar a população, antes de puní-la com sanções pesadas e autoritárias.

Acredito em campanhas educativas maciças: imprensa, redes sociais, TV, rádio, escolas, universidades, ONGs, rádios comunitárias, enfim. Estes conceitos precisam permear ouvidos e mentes, para serem incorporados ao dia a dia do povo, levando-o a mudar paradigmas seculares.

Só assim, a teoria vira prática.
O sonho vira verdade.
A necessidade faz mudar a realidade de um povo.
Levantaremos do “berço esplêndido” do desperdício irracional e entraremos na batalha mundial pela preservação do Planeta!

Salvador, 12/09/2011

Dora Brasil


Sobre Dora Brasil Arquitetura, Sustentabilidade e Segurança

Arquiteta e Engenheira de Segurança do Trabalho, com atuação no mercado há trinta anos, direciona seu trabalho à questões de conforto, funcionalidade, eficiência, saúde, segurança, bem estar e preservação do meio ambiente. Esta filosofia vem sendo maturada e está se concretizando com a atualização profissional em Gestão Ambiental com Tecnologias Limpas, Construções Sustentáveis (Conceitos LEED) e certificação PROCEL-Edifica (EtiqEEE - Etiquetagem de Eficiência Energética em Edifícios). Nosso objetivo é levar à sociedade os conceitos de Eficiência, procurando gerar projetos para edificações visando o baixo consumo de energia e água potável, através de diversas soluções alternativas que envolvam o desgaste mínimo dos insumos da natureza e a redução das emissões de gases nocivos ao meio ambiente.
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