Cidades sustentáveis e a política brasileira

Protocolos internacionais, medidas de austeridade quanto ao consumo da energia, tecnologia voltada às matrizes energéticas limpas e renováveis: este é o panorama energético mundial, preocupado em desenvolver soluções que resultem no tripé da sustentabilidade – a economia dos recursos, os benefícios sociais e a preservação do meio ambiente.

A construção civil, grande vilã deste processo por consumir grande fatia da energia produzida, passou a ser um dos focos principais deste panorama, repercutindo diretamente nas grandes cidades, que, por sua vez, também necessitam de maior atenção por parte dos Urbanistas e Gestores, no sentido de viabilizarem um planejamento adequado focado nas soluções para a redução do consumo energético, através do sistema viário, dos transportes de massa e dos zoneamentos adequados.

Eleições municipais estão em curso, e ouve-se pouco sobre a sustentabilidade urbana…

Como os gestores municipais brasileiros estão encarando esta situação?

Há centros urbanos pontuais cuja administração municipal preocupa-se e manifesta-se neste sentido, fomentando meios para soluções sustentáveis. Por outro lado, a grande maioria das cidades brasileiras sequer coloca em pauta esta problemática, como se fosse uma questão remota ou desprezível.

Falar de meio ambiente virou moda. Chegou a render alguns poucos votos. Mas será que a consciência desses políticos profissionais tem algo a ver com a noção do “sustentável”?

A noção do sustentável é sistêmica e irrestrita, pois abrange mais do que um edifício, ou a cidade ou o país, mas o Planeta. Somente quando se tiver a noção do risco de colapso inevitável, é que os políticos profissionais brasileiros começarão a se mexer em suas poltronas “não sustentáveis de couro” em direção a atitudes reais e formais em prol da preservação dos recursos essenciais à sobrevivência.

Quem sobreviver, verá!

(DB, 16/10/2012)

O desafio de construir cidades sustentáveis 

Fonte: Diário de Pernambuco – 12.10.2012

Pernambuco – A construção de cidades mais sustentáveis não   é desafio apenas do poder público. Toda a sociedade, incluindo consumidores e setores produtivos, pode e deve dar a sua contribuição para construir cidades ambientalmente corretas. E, nesse processo, o perfil das construções e dos edifícios da selva de pedra faz muita diferença, pois a estruturação de cidades sustentáveis passa por construções sustentáveis. O modelo atual de construção civil em capitais como Recife, baseado em materiais como concreto e vidro, apresenta desafios importantes a serem superados para construirmos um futuro cada vez mais verde. A ampliação do uso de materiais ecologicamente corretos e o aumento da eficiência energética na produção desses mesmos materiais são pontos-chave para soluções eficientes e viáveis para as nossas cidades.

Nas quentes cidades brasileiras, o concreto utilizado apresenta isolamento térmico baixo em relação a materiais similares como os blocos cerâmicos. Já o vidro, muito presente em prédios considerados modernos, gera aumento significativo de calor dentro dos edifícios. Ao contrário da Europa, onde há domínio do clima temperado, com necessidade de luz e de aquecimento do ambiente, o uso abundante de vidro no clima tropical brasileiro resulta em aumento excessivo da temperatura com a entrada de luz nos ambientes. A má escolha de materiais acarreta em elevação na conta de energia, devido a despesas com ar condicionado, comprometendo a etiquetagem ambiental de uma edificação.

Blocos e telhas cerâmicas, granito ou mármore são exemplos de materiais que colaboram para o isolamento térmico. Adaptar as demandas de sustentabilidade à realidade de nossas condições climáticas é o primeiro passo para adotarmos parâmetros inteligentes. Mas, a virada necessária para a construção de cidades mais sustentáveis demanda medidas mais ousadas que as escolhas de consumidores. O poder de ação dos órgãos públicos se faz fundamental. E neste ponto, Recife conta com um bom exemplo europeu: Copenhagen, na Dinamarca. A cidade quer ser o primeiro município no mundo a neutralizar as emissões de carbono. Para zerar as emissões de combustíveis fósseis, a receita dinamarquesa é conhecida e seguida com rigor: planejamento urbano, expansão consistente do transporte público e elevadas exigências de eficiência energética para as edificações. Para atender estas exigências, uma dos elementos construtivos mais presentes são os tijolos cerâmicos. Não somente nas antigas, mas em praticamente todas as novas edificações. Além do isolamento térmico, utilizam os tijolos por eles ajudarem na qualidade do ar interno, devido à sua porosidade e características físicas próprias da argila que nenhum outro material oferece.

Por lá, o uso da bicicleta também é incentivado não como diversão nos finais de semana, mas como meio de transporte diário. As estações de metrô contam com bicicletários, para evitar as emissões até mesmo na chegada de cada trabalhador. Não há soluções mágicas: a legislação, o comprometimento dos setores produtivos, a escolha consciente dos consumidores e o envolvimento de toda a sociedade civil são os alicerces da construção de edifícios e de um futuro mais verde.

* Luís Lima é presidente da Associação Nacional da Indústria Cerâmica (ANICER)

Sobre Dora Brasil Arquitetura, Sustentabilidade e Segurança

Arquiteta e Engenheira de Segurança do Trabalho, com atuação no mercado há trinta anos, direciona seu trabalho à questões de conforto, funcionalidade, eficiência, saúde, segurança, bem estar e preservação do meio ambiente. Esta filosofia vem sendo maturada e está se concretizando com a atualização profissional em Gestão Ambiental com Tecnologias Limpas, Construções Sustentáveis (Conceitos LEED) e certificação PROCEL-Edifica (EtiqEEE - Etiquetagem de Eficiência Energética em Edifícios). Nosso objetivo é levar à sociedade os conceitos de Eficiência, procurando gerar projetos para edificações visando o baixo consumo de energia e água potável, através de diversas soluções alternativas que envolvam o desgaste mínimo dos insumos da natureza e a redução das emissões de gases nocivos ao meio ambiente.
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