O consumo de energia nas edificações no Brasil

Alarmante a constatação de que cerca de 50% do consumo de energia está relacionado às edificações.

Se analisarmos a importância do projeto arquitetônico nesse contexto de eficiência energética das edificações, chegaremos à conclusão de que um projeto criterioso pode resultar em grande economia de consumo de energia ao longo de toda a vida útil da edificação (estimada em 50 anos). Resultado de imagem para ciclo de vida edificação

O aproveitamento correto das características bioclimáticas locais, que orientam nas definições  projetuais adequadas no que tange ao posicionamento da edificação e melhor forma de implantação no terreno, aos ajustes à paisagem ou ao contexto do entorno,  aos materiais e cores a serem utilizados na envoltória,  às definição de proteções, aberturas e vãos.    Da mesma forma, o sistema construtivo definido para a edificação e a gestão dos processos adotados durante a construção também contribuem para a redução dos custos da obra e consequente repercussão na eficiência econômica do empreendimento.

Uma edificação feita com um planejamento criterioso, inicialmente pode sugerir custos mais elevados da construção. Mas já é tempo de que novos paradigmas sejam praticados. O incorporador precisa entender que o produto final da sua comercialização urge em atender a critérios sistêmicos ou globalizados, relativos à eficiência energética. Não terá mercado (ou já não tem…) o edifício ineficiente, que levará o seu habitante a ter um gastos excessivos de energia e água. Os edifícios inteligentes são eficientes. Possuem soluções inovadoras e sustentáveis de captação de energia e água, sistemas e equipamentos inteligentes, para que sua manutenção e operação sejam mais econômicas. Esta realidade já está ocorrendo em partes do Brasil, onde os próprios consumidores exigem tais soluções, já reconhecendo suas enormes vantagens.

Está na hora de repensar o processo construtivo. É preciso acompanhar a tendência do mercado, cada vez mais exigente e consciente.

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Brasil – Um dos principais desafios do país e dos clientes consumidores de energia atualmente é encontrar soluções céleres, econômicas e significativas para superar as dificuldades em relação ao cenário energético e hídrico que preocupa a sociedade e influencia nosso desenvolvimento econômico. O custo de energia está alto e vai aumentar ainda mais. Existem duas formas básicas de se obter mais energia: produzindo a mesma através de um dos mecanismos disponíveis na matriz energética brasileira (hidroelétricas, termoelétricas, usinas nucleares, dentre outros) ou otimizando racionalmente o uso da energia atual. A primeira solução demanda tempo e altos investimentos o que não resolveria a curto e médio prazo a situação. Utilizar melhor a energia através da execução de projetos de eficiência energética é uma forma rápida e de custo muito menor.

Analisando o tema, conforme o BEN 2015 (Balanço Energético Nacional), nossas edificações (no segmento industrial, comercial, serviços, residencial e público) são identificadas como a principal demanda de eletricidade do país, responsável pelo consumo de cerca de 50% do total. Todavia, através do movimento de construção sustentável, onde eficiência energética desponta como um dos principais temas, as edificações deixam de ser apresentadas como grandes consumidores de energia, tornando-se a principal solução do problema energético nacional.

Cresce no país a mobilização de organizações e associações trabalhando no incentivo a práticas de construção sustentável e economia de energia. Dentre as principais atividades destes grupos há a promoção de sistemas de certificação e etiquetagem de edificações projetadas e construídas buscando maximizar seu desempenho energético, bem como atividades de readequação energética de edificações existentes.

Atualmente temos 224 edificações certificadas com o LEED no Brasil e 20 certificações pelo recém-criado Selo Procel Edificações. Uma análise, considerando a média de economias comprovadas nestas edificações, mostra que sem muitos esforços adicionais as edificações brasileiras poderiam apresentar um potencial mínimo de redução de 30% ou mais.

Considerando o total de energia elétrica disponibilizada no país, descontadas as perdas, o consumo no Brasil chega a 516,6 TWh, deste valor 258 TWh, ou o equivalente a R$ 60 bilhões são consumidos apenas pelas edificações. O potencial de redução de consumo nos prédios green buildings é cerca de 77,49 TWh, fomentado por uma política integrada de eficiência energética que englobe construção, reforma e operação das edificações, sem grandes investimentos e ótimas taxas de retorno. Ou seja, praticamente o montante da energia produzida pela usina de Itaipu. Também significaria reduzir em 65% o uso de termoelétricas, reduzindo emissões poluentes e economizando quantias financeiras relevantes aos cofres públicos.

Para o cliente final é uma redução de R$ 18 bilhões onde o principal sistema consumidor é o sistema de climatização.

Os proprietários de imóveis devem se informar e estar atentos ao fenômeno da crescente conscientização dos ocupantes e perda de competitividade frente aos novos empreendimentos que se diferenciam em face a eficiência operacional. O mercado de eficiência nas edificações possui vantagens sociais, ambientais e principalmente econômicas. Em muitos casos a readequação energética, além de não envolver grandes investimentos e em todos eles termos ótimas taxas de retorno econômico, existem inúmeros benefícios diretos e indiretos para o Governo, iniciativa privada e sociedade.

Com isso, o Brasil possuirá todas as condições de superar os atuais desafios energéticos, sendo a eficiência a principal solução. A ineficiência energética sugere grande desperdício de dinheiro e oportunidades, certo que as ações de correção deste cenário irão inserir estes valores, que até então encontram-se perdidos, na economia, gerando emprego, elevando o padrão técnico do setor, mitigando impactos sócio ambientais negativos e melhorando a qualidade de vida.

Fonte: Condomínios Verdes – 21.09.2015  (Condomínios Verdes)

Sobre Dora Brasil Arquitetura, Sustentabilidade e Segurança

Arquiteta e Engenheira de Segurança do Trabalho, com atuação no mercado há trinta anos, direciona seu trabalho à questões de conforto, funcionalidade, eficiência, saúde, segurança, bem estar e preservação do meio ambiente. Esta filosofia vem sendo maturada e está se concretizando com a atualização profissional em Gestão Ambiental com Tecnologias Limpas, Construções Sustentáveis (Conceitos LEED) e certificação PROCEL-Edifica (EtiqEEE - Etiquetagem de Eficiência Energética em Edifícios). Nosso objetivo é levar à sociedade os conceitos de Eficiência, procurando gerar projetos para edificações visando o baixo consumo de energia e água potável, através de diversas soluções alternativas que envolvam o desgaste mínimo dos insumos da natureza e a redução das emissões de gases nocivos ao meio ambiente.
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