Incêndio que poderia ter sido evitado.

Na madrugada desta sexta feira, 08 de fevereiro, o noticiário carioca precisou mudar a pauta: de chuvas torrenciais com vítimas fatais, a surpreendente incêndio no “Ninho do Urubu” – Centro de Treinamento do Clube de Regatas Flamengo, que também causou mortes.

Foto: Revista Exame – Abril.com

De acidentes meteorológicos a acidentes previsíveis, há muito o que ser analisado, investigado, discutido.

Acidentes previsíveis são aqueles para os quais os riscos são passíveis de controle ou mitigação.

Segundo reportagem, o Comandante da operação do Corpo de Bombeiros que atendeu ao chamado no CT do Flamengo, pode constatar que os dispositivos de segurança contra incêndio – pelo menos os que não sucumbiram ao fogo, tais como extintores e hidrantes, estavam em plena capacidade de funcionamento.  Serviram de apoio aos trabalhos de combate ao fogo pelos Bombeiros.

Contudo, no início do incêndio, ainda na fase de ignição, quando o foco do fogo ainda é pontual, a atuação do pessoal local é fundamental. Neste sentido, o alerta é para a capacitação das pessoas que “habitam” o lugar,  justamente para prevenirem ocorrências com potencial risco de incêndio.

O Rio de Janeiro, por conta das chuvas torrenciais que estava sofrendo, teve muitos locais com falta de energia elétrica, o que propicia a utilização de velas. O uso das velas precisa de supervisão, pois simples descuidos geram catástrofes. Estamos aqui aventando uma  hipótese, bastante plausível, por sinal, pois as reais causas ainda não foram investigadas.

Dois fatores devem ser levantados neste caso:

  1. A ausência de supervisão do uso de vela;
  2. A ausência de pessoal treinado para o combate ao princípio do incêndio.

Jovens em alojamento utilizando vela, numa condição precária, estão sujeitos a grave risco.

E a ausência de pessoas treinadas para a utilização dos dispositivos de segurança contra o incêndio é outro aspecto relevante, não apenas neste caso, como na grande maioria dos empreendimentos do Brasil.

De quê adianta sistemas de prevenção e combate ao incêndio, se ninguém sabe fazê-los funcionar?

Especialmente nos casos em que o empreendimento não tem porte para ter a obrigatoriedade de abrigar os sistemas automáticos – detecção e alarme, chuveiros automáticos (sprinklers) e outros,  a manutenção de pessoas treinadas – a Brigada de Incêndio, deve-se fazer imperativa.

O manuseio de um extintor de incêndio adequado no início do incêndio, previne desastres. O uso dos hidrantes igualmente inibe a propagação do fogo, até a chegada do Corpo de Bombeiros, que finalizará com êxito (e sem vítimas), o trabalho iniciado pela Brigada de Incêndio.

Apesar de tantas ocorrências desastrosas envolvendo situações de incêndio no Brasil, as pessoas continuam a tratar a questão com descaso. Não existe meio termo num incêndio. Na melhor das hipóteses, prejuízos materiais, que podem ser ressarcidos pela seguradora, mas que geram enormes transtornos para os envolvidos.

É de fundamental importância que esta questão passe a ser tratada sob a ótica jurídica, responsabilizando com mais rigor os gestores dos empreendimentos de maneira geral, para que adotem as medidas de prevenção e combate ao incêndio preconizadas pelas legislações estaduais do Corpo de Bombeiro Militar.

Acima de tudo, essa é uma questão cultural que precisa estar arraigada ao cenário dos gestores de empreendimentos de qualquer natureza – mesmo os residenciais.

DB

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