O Olhar Reverso

Tal como a engenharia reversa, a arquitetura reversa envolve a desmontagem de uma obra, mas  em vez de se concentrar nos seus princípios tecnológicos, procura descobrir as diferentes matérias e contingências que foram operativas para o projeto. 

(Fonte: http://reversearch.blogspot.com/)

A concepção arquitetônica envolve inúmeras variáveis, que abrangem, dentre outros aspectos peculiares, o indivíduo, o clima, o local, as limitações legais, a forma, o estilo, a disponibilidade financeira, a tecnologia e a função, que, em conjunto, geram uma obra com um conceito único. Parte-se do abstrato para o concreto. Um terreno vazio passa a acolher um volume habitável.

Do nada, surge um edifício, com características e especificações próprias, que são devidamente documentadas pelo Arquiteto que o concebeu.

Ao longo do ciclo de vida de todo edifício, que em média dura 50 anos, há transformações e adaptações que alteram o seu caráter original. Mudanças de usuários, estilos e ocupações tornam o edifício um ente mutável e dinâmico. E justamente este processo é o que torna a construção apta a ter uma maior longevidade através do retrofit.

Mas o foco aqui é a compreensão do que vem a ser a Arquitetura Reversa.

Baseado no conceito já amplamente difundido para o meio ambiente (logística reversa) e a engenharia (engenharia reversa), temos um mix de ambos os conceitos para chegarmos à Arquitetura Reversa, que busca fazer a leitura reversa da produção arquitetônica.

Imagine um edifício. Este edifício possui suas características. E estas características nem sempre estão devida e plenamente documentadas. Como obter o “DNA” do edifício?

O século XXI vem apresentando surpreendentes avanços tecnológicos no campo da construção civil, especialmente nas ferramentas de edição dos projetos. Arquitetos e engenheiros atualmente modelam os edifícios e todos os seus componentes de maneira virtual, possibilitando a identificação e correção de conflitos que só seriam verificados tardiamente na obra. O trabalho colaborativo e multifuncional contribui em vários aspectos para a eficiência do conjunto da obra, resultando em vantagens irrefutáveis para a economia, o meio ambiente e a sociedade de maneira geral.

Voltando ao “DNA” do edifício, os métodos atuais já oferecem esta informação aos futuros agentes de retrofitagem das edificações modernas. Mas, como conhecer o “DNA” de um prédio mais antigo, concebido nos moldes convencionais?

Chegamos ao ponto. A Arquitetura Reversa.

Olhar o edifício de fora para dentro, do macro para o micro, identificando suas peculiaridades, é a Arquitetura Reversa.

E a tecnologia é o fator primordial para esta leitura. Equipamentos de leitura em 3D “varrem” as partes internas e externas de uma edificação, captando seus mínimos detalhes, numa precisão milimétrica. Um acevo fotográfico auxilia a leitura, complementando as informações que o “laser scan” captou. Um modelo em 3D é produzido, revelando com fidelidade e riqueza de detalhes a construção existente.

Pensando sobre a Arquitetura Reversa, veio a imagem do elefante engolido pela cobra, presente na obra “O Pequeno Príncipe” (conto do escritor Antoine de Saint-Exupéry). Para se ter a clareza de tratar-se de um elefante na barriga de uma cobra, há somente duas maneiras de descobrir: ou através da minuciosa investigação de fora pra dentro – Arquitetura Reversa, ou através da imaginação!!

DB

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